A Fábrica de Loiça de Sacavém e o fabrico de refractários

Clive Gilbert

Vice-Presidente da Associação dos Amigos da Loiça de Sacavém

A Fábrica de Loiça de Sacavém é conhecida principalmente pelo fabrico de loiça de mesa com a decoração ‘Cavalinho’ como seu ‘cartão de visita’. No entanto, na segunda metade do século XX, a loiça de mesa e loiça decorativa como figuras, jarras e outras peças ornamentais representavam cerca de 30% do valor do total de vendas. O produto com maior valor na comercialização era a loiça sanitária, ou seja, os produtos para casas de banho. A Sacavém foi a primeira empresa a produzir este produto em Portugal, e nos anos 60/70 do século passado chegou a fornecer os novos hotéis que estavam a ser lançados em Portugal, tais como os Sheratons, Hilton (na Madeira), Penta (hoje Marriot), entre outros. Em termos do mercado exterior, a empresa exportava para França, Espanha, Holanda e Estados Unidos.

A laboração da empresa teve restrições graves durante a Segunda Guerra Mundial, altura em que era quase impossível importar produtos acessórios para o fabrico das loiças e azulejos. Retrato desta situação foi a requisição do carvão existente na fábrica pelo Engenheiro Duarte Pacheco. Consequentemente, a Sacavém teve de produzir peças que, na sua maioria, serviam para apoiar as loiças e azulejos durante o seu cozimento. É o caso do fabrico de refractários, produtos cerâmicos também, utilizados para impedir variações bruscas do volume das peças durante o aquecimento e arrefecimento nos fornos de produção. Desta forma, e durante este período, a produção de refractários aumentou em grande quantidade, e eram cozidos no forno 18 bem como no forno 26, entretanto eliminado na altura da construção do Museu de Cerâmica.

Portanto, a partir dos anos 40, o forno 18 nunca cozeu nem loiça nem azulejos, pois era um forno que era usado pontualmente quando eram precisas as tais peças refractárias. Tal utilização continuou após a guerra até que foi possível começar a importar as tais peças que eram fabricadas por empresas especializadas. A loiça de mesa e sanitária, os azulejos e mosaicos, eram cozidos nos fornos túneis, de rolos e de passagem, todos da mais avançada tecnologia da época. O primeiro forno túnel na Península Ibérica que serviu para cozer loiça de mesa foi instalado na Sacavém no início do século XX.

Forno-miniatura

Peça que representa o forno 18. Fabricada por ocasião da comemoração dos 100 anos da Fábrica de Loiça de Sacavém. Faiança branca vidrada não marcada.